Uma moradora de Olímpia denuncia uma peregrinação de quase dois anos em busca de atendimento ideal para o filho, Otávio, que sofre com perfuração no tímpano e um grave processo infeccioso no ouvido, reconhecido com o auxílio de tomografia como uma massa que pode atingir a cabeça, causar meningite e até paralisia facial.
De acordo com a mãe, o drama se aumentou nos últimos sete meses, quando o ouvido do rapaz passou a vazar pus e sangue de forma contínua. Mesmo assim, ela afirma não ter conseguido avançar no processo para realização da cirurgia necessária.
Encaminhamento parado desde agosto
Em 22 de agosto do ano passado, depois de análise da tomografia, o otorrinolaringologista que acompanhava o caso em Olímpia informou que a cirurgia só poderia ser feita em Ribeirão Preto, já que Barretos não realizaria o procedimento. A regulação municipal recebeu o encaminhamento na mesma data.
“Eu achei que desde agosto esse encaminhamento já estivesse em Ribeirão. Só agora descobri que está parado desde o dia 22 de agosto. Nunca me avisaram que eu precisava passar primeiro por Barretos”, afirma a mãe.
Internação negada e idas e vindas entre cidades
No sábado passado, Otávio foi internado na Santa Casa de Olímpia, mas recebeu alta três dias depois sem melhora. A pediatra que o acompanhava alegou risco de infecção hospitalar e orientou que ele fosse avaliado através do otorrino apenas na sexta-feira daquela semana.
No atendimento, o novo especialista confirmou a urgência da cirurgia e reforçou que Barretos não faz o procedimento. Ainda assim, a regulação de Olímpia marcou consulta no AME de Barretos apenas para o dia 20 do próximo mês.
“Eu falei que era grave, que Barretos não faz a cirurgia. Mesmo assim, marcaram. Disseram que eu preciso ir lá para o médico escrever que não faz, senão não encaminham para Ribeirão”, relata.
No final de semana, a situação ficou grave. Sem conseguir atendimento resolutivo, a mãe procurou a UPA de Olímpia, onde o médico tentou duas vezes a internação em Barretos. Na segunda tentativa, conseguiu.
Mas ao chegar à Santa Casa de Barretos, a família recebeu outra negativa.
“Elas falaram que não tinha otorrino no fim de semana. Pedi para segurar até segunda-feira, que era no dia seguinte. Disseram que não poderiam internar porque ele não estava com febre constante”, diz a mãe. Ela recebeu apenas uma carta para voltar no dia seguinte para consulta.
“Era três horas da manhã, ele estava gritando de dor, implorando: ‘me leva no médico’. Eu queria levar, mas sabia que iam dar remédio na veia e me mandar embora de novo, porque é isso que vem acontecendo.”
Dois anos de luta e quadro cada hora mais grave
A mãe relata que vem tentando tratamento ideal existe dois anos, desde a descoberta da perfuração no tímpano. Nos últimos meses, no entanto, o quadro ficou grave e se tornou ininterrupto.
“De sete meses para cá, o ouvido dele não para de vazar. Primeiro pus, depois sangue. O médico disse que, se a massa crescer, pode subir para a cabeça. Eu tenho medo de ele perder a audição ou ter algo pior”, desabafa.
Sofrimento e incerteza
Sem internação, sem cirurgia e sem vaga em Ribeirão Preto — onde o procedimento pode ser feito —, ela teme pelas consequências da demora.
“Eles vão esperar meu filho ficar surdo para encaminharem? Eu estou nessa luta sozinha, indo para Barretos, Rio Preto, Olímpia, e ninguém resolve.”
A reportagem procurou a Prefeitura de Olímpia e a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, responsável pelos atendimentos de alta complexidade. A Prefeitura Municipal de Olímpia falou que acompanha o caso desde o começo e que todo o atendimento clínico que cabe ao município fica sendo feito. Informou ainda que, depois de a classificação como caso de alta complexidade, o paciente foi direcionado ao Departamento Regional de Saúde (DRS) de Barretos, responsável através do processo de encaminhamento ao HC de Ribeirão Preto.
O município destacou que especialidades médicas e cirurgias são de responsabilidade do Estado, mas que continua tentando acelerar as soluções, mantendo contato direto com as unidades de referência.
A Santa Casa de Olímpia também se manifestou, informando que o paciente fica internado na unidade e, conforme direção médica, fica sendo direcionado para Barretos para consulta e avaliação com a especialidade necessária ao quadro clínico. De acordo com a instituição, o encaminhamento foi feito devido à necessidade de atendimento especializado, assegurando a continuidade adequada do tratamento.
A reportagem ainda aguarda a nota oficial da Secretaria de Estado da Saúde.
Com informações de GazetaInterior


